quinta-feira, 26 de março de 2015

Cartomancia, meu novo hobbie

Faz bastante tempo que não posto nada aqui. Desde minha última postagem, posso dizer que tenha mudado tanto como pessoa, que me encontro em um estado irreconhecível de transformação, em sua maior parte, para melhor. Relacionamentos vieram e foram, passei por decepções que me abriram muito os olhos e a cabeça para a vida, me aproximei mais de meus pais, e graças a todas essas experiências, posso dizer que em muitos campos da vida eu esteja mais evoluído. Porém, algo que nunca mudou em mim foi o interesse pelo oculto e tudo que sempre foi condenado pelo cristianismo. Talvez por ter vindo de uma família deveras religiosa, meu espírito rebelde sempre se sentiu instigado para conhecer o que me diziam ser "proibido" sob alegação de pertencer a "Satanás". Esta paixão começou desde que eu aprendi a ler, mas se materializou quando eu tinha 6 ou 7 anos de idade. Meu primo e melhor amigo na época chegou, certo dia, falando de horóscopo para mim, afirmando ser de leão e que eu, talvez, fosse de peixes. Ficamos por um tempo discutindo, pois eu também queria ser de leão, já que, em minha mente infantil, este era um animal mais "legal" do que peixes. Nada a ver, é claro. Ele é aquariano, e eu, virginiano. Talvez ele só estivesse querendo puxar assunto, mas rendeu uma grande descoberta para a minha vida: a astrologia. Horas depois de nossa conversa esotérica de 5 minutos, a primeira nesta minha vida, me dirigi à minha mãe ingenuamente e lhe perguntei seu signo, o que foi recebido pela mesma com grande alarde, pois astrologia e qualquer prática de adivinhação são condenadas por sua religião. Assim se deu o nascimento de meu grande interesse por horóscopo: nunca aceitei verdades sem questioná-las, fosse de meus pais ou de qualquer outra pessoa. Sempre fui extremamente curioso, e proibições sempre me atiçaram a investigar seus porquês e o que havia por trás delas. Não demorei muito a olhar, sempre discretamente, tudo relacionado a horóscopo cada vez que acompanhasse um de meus pais ou tios à banca de jornal. Enquanto eles olhavam o que lhes era de interesse, ficava eu a absorver tudo que fosse do meu.
Quando fiz 8 anos, comecei a me interessar por animações japonesas, e uma de minhas favoritas era "Sakura Card Captors", que contava a história de uma menina que possuía cartas com poderes mágicos, e as utilizava para procurar e caçar outras que estivessem espalhadas pelo Japão. Na minha época, este desenho animado havia se tornado uma febre entre as crianças da minha idade. Tanto que, na manhã do dia 11 de setembro de 2001, sem ao menos tentar compreender a gravidade dos acontecimentos que se haviam dado nos Estados Unidos, eu e meus colegas de escola ficamos indignados porque a "Sakura", nosso desenho animado favorito, não fora exibida na TV aquele dia.
Uma vez, quando ganhei de mesada R$10,00 de minha avó, resolvi comprar algumas revistas relacionadas a animações japonesas que eram populares entre meus amigos na época, em especial a revista Henshin. Naquela época, era possível comprar 3 revistas com esse valor, e eu não me demorei a gastar toda a "fortuna" que vovó me houvera concedido em revistas. Uma delas tratava justamente da "Sakura", meu desenho favorito: explicava de onde viera a inspiração para as cartas apresentadas no desenho, dentre outros assuntos relacionados ao mesmo. Aquele dia, havia me aventurado sozinho até a banca de jornal, e me deparei com uma péssima surpresa ao chegar em casa: minha avó e minha mãe estavam me esperando na cozinha, onde ficava a entrada de casa, sentadas com ar de superioridade, e as primeiras palavras a mim dirigidas por vovó foram as seguintes: "Mostre para mim o que você comprou.".
Eu, instantaneamente, entrei em pânico e me desatei a correr para a sala com a sacola de revistas na mão. Não que eu tivesse comprado algo de errado, mas tinha certeza de que elas implicariam comigo por motivos religiosos. Afinal, tudo que eu gostava era "do diabo". Todos os meus gostos eram satanizados de algum modo, o que me irritava profundamente e diminuía minha autoestima cada vez mais. Porém, desta vez, não escapei ileso. As duas vieram atrás de mim, me seguraram, e, em meio a pontapés desesperados vindos de mim, conseguiram me arrancar a sacola das mãos e se puseram a ler minhas revistas enquanto eu me sentava no sofá aos prantos. Minha mãe abriu justamente a página que falava que as cartas da "Sakura" eram inspiradas nas cartas de tarô. Pronto, encontrava-se arruinada minha diversão matinal: fui proibido de assistir a esse desenho demoníaco, "obra do próprio Satanás para desviar a atenção das crianças das coisas de Deus".
Foi então que, após furtivamente recolher minhas revistas em um momento em que se encontravam ambas distraídas, li a reportagem e fiquei mais interessado na "Sakura" ainda. Afinal, o que era tarô? Estava tudo na reportagem. A redação havia, inclusive, entrevistado uma taróloga profissional, que lhes concedeu uma breve explicação quanto à natureza e utilização das cartas de tarô e sua relação com as da "Sakura". Foi o suficiente para que eu guardasse, em meu coração, uma profunda curiosidade quanto às cartas, e que viesse, anos mais tarde, a pesquisar mais sobre as mesmas. Voltei a assistir a "Sakura" escondido todas as manhãs. Ficava na casa de minha avó enquanto minha mãe estava no trabalho, e essa, por sua vez, ficava sempre ocupada com seus afazeres. Era a situação perfeita para que eu desfrutasse por completo de meus prazeres televisivos matinais sem ser incomodado por ninguém.
Passados os anos, aqui estou eu, homem crescido, estudando e trabalhando, morando sozinho e longe de minha família. Guardo em meu coração certa nostalgia quanto aos tempos em que estava sempre na "casa da Vó Maria", tempos muito bons da minha vida. Se sou o que sou hoje em dia, é grande parte por conta das curiosidades que me foram geradas quando criança.
Vou, afinal, entrar no assunto principal desta postagem: no fim do ano passado, aproveitando o começo das férias e tentando ocupar a mente para não pensar muito no fim de um relacionamento, que ainda me causava grande dor no peito, resolvi começar a aprender o tarô. Totalmente leigo, fui a uma loja esotérica no centro da cidade procurar por um baralho para começar. Acabei por escolher um baralho Lenormand, que de tarô nada possui, mas é igualmente - senão mais - peculiar e interessante. A confusão veio pelo fato do baralho ser conhecido como "tarô cigano" no Brasil, e por estar posto à venda junto com os baralhos de tarô. Me encantei pelas imagens e pelo design e trouxe um Petit Lenormand para o meu quarto, achando que se tratasse de tarô. Descobri, mais tarde, que todo o material de estudo do tarô que eu houvera baixado da internet se mostrava inútil diante daquele baralho que eu comprei aquele dia. Foi assim meu encontro com o Lenormand: por meio de pesquisas na internet para entender o que se achava em minhas mãos, leitura ávida de material relacionado ao mesmo, visualização de vídeos explicativos e participação em um fórum, passei a utilizar o sistema Lenormand de cartomancia para refletir diariamente sobre mim mesmo ou ler a sorte de pessoas à minha volta. Esta está sendo uma experiência muito interessante, o nascimento de algo novo na minha vida. Gosto do Lenormand porque ele me lembra muito uma linguagem, se assemelha muito a um código, e me lembra muito certos aspectos da escrita chinesa. Tanto tenho desfrutado de tal experiência, que decidi traduzir informações sobre os diversos baralhos Lenormand e postá-las em algum lugar. E é aqui que me ponho a iniciar tal atividade: hoje, no ócio de meu estágio, traduzi do alemão algumas informações sobre um baralho Lenormand bastante utilizado na década de 1920, as quais serão colocadas provisoriamente nesta página, até que eu decida - ou não - o que fazer com as mesmas.

Segue abaixo minha tradução de hoje:

"O Baralho de Lenormand 'Die rote Eule'

O baralho de Lenormand 'Die rote Eule' (coruja vermelha, em português) pertence às confecções clássicas de Lenormand, cuja história começou em 1920. Incontáveis baralhos bonitos surgiram no decorrer dos anos. O 'Die blaue Eule' (coruja azul) e o 'Die rote Eule', de qualquer modo, são os baralhos de uso mais comum. O 'Die blaue Eule' goza de uma popularidade maior, e foi usado por inumeráveis cartomantes, fosse por meio da cartomancia profissional, ou simplesmente para lazer. O 'Die rote Eule', entretanto, caiu cada vez mais em descrédito, pois em contraste com o 'Die blaue Eule', não se encontram nas cartas imagens do baralho convencional, mas sim um verso relativo à sua interpretação, que, de acordo com muitos cartomantes, não representa mais a contemporaneidade. Além disso, muitas consultas conseguem, por meio da representação do baralho convencional contida em cada carta, algumas informações extras que estariam ocultas na interpretação das cartas.
Assim sendo, o clássico baralho Lenormand encontra-se ainda sob um grande potencial de mutações. Veremos o que o futuro nos traz. Um(a) cartomante que, de qualquer forma, acaba por decidir utilizar o 'Die rote Eule', obviamente não possui dificuldade alguma em se transportar para os gloriosos anos vinte da Alemanha. É um trunfo para todos os nostálgicos entre os cartomantes. O design e as imagens das cartas do 'Die rote Eule' são, de qualquer modo, idênticos às do 'Die blaue Eule'.


Fonte: http://www.lenormand-karten.info/ (texto original em alemão)"

Espero melhorar, doravante, minhas habilidades de tradução ao mesmo tempo em que aprendo mais sobre os diversos baralhos Lenormand. Afinal, conhecimento nunca é demais, e mesmo que eu venha, um dia, a me desapegar da cartomancia, o conhecimento linguístico que por sua prática me está sendo concedido ficará. E por isso, serei sempre grato. 

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Educado

Uma música que me lembra de você?
"Vambora".
Saudade é o único sentimento 
que ainda guardo por você.
Nosso amor e nosso ódio
já são passado,
assim como já não sinto mais
a dor de não te ter ao lado.
O tempo curou minhas feridas
e certamente guiará a nós dois 
a caminhos de sucesso e aventuras desiludidas.
Espero que você esteja bem,
pois eu estou e muito!


Felicidades
(e um brinde solitário aos velhos tempos)


Beijos, de seu antigo bem.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

JITTERIN'JINN - NITIYOUBI (tradução)

JITTERIN'JINN - 日曜日- Tradução



JITTERIN'JINN - Domingo


マンデー つまったスケジュール
イライラしている チューズデー
ウェンズデー のんびりしたいけど
まだまだ遠いわ 日曜日


Monday, a agenda está cheia
Fico toda nervosa, tuesday
Wednesday, quero relaxar,
mas o domingo ainda está longe

ラリルレリ ラリルレリ ラリルレリリ
ラリルレリ ラリルレリ ラリルレリル

Lariruleri Lariruleri Lariruleriri
Lariruleri Lariruleri Larirureliru

ダーリン ラムネを買ってきて
二人で飲みましょ散歩道 月が昇るまで

Amor, compre-me um Lamune
e vamos beber juntos pelo caminho até a lua aparecer

サースデー 飛んで行きたいけど
電話でごまかす フライデー
サタデー お日様沈んだら
明日は会えるね 日曜日

Thursday, quero me apressar,
mas dou desculpas por telefone na Friday
Saturday, quando o msol se por,
amanhã vou poder te encontrar, Domingo

ラリルレリ ラリルレリ ラリルレリリ
ラリルレリ ラリルレリ ラリルレリル

Lariruleri Lariruleri Lariruleriri
Lariruleri Lariruleri Larirureliru



ダーリン ラムネを買ってきて
二人で飲みましょ散歩道 月が昇るまで


Amor, compre-me um Lamune
e vamos beber juntos pelo caminho até a lua aparecer



お菓子をいっぱいつめこんだ
バスケットも用意できたし
早起きして迎えに来てね
明日は朝からお天気になる
ララララー ララララー ララララー

Preparei uma cesta 
cheia de doces
Acorde cedo e venha me buscar
Amanhã o tempo vai estar bom desde de manhã
Lalalala Lalalala Lalalala

ダーリン ラムネを買ってきて
二人で飲みましょ散歩道 月が昇るまで


Amor, compre-me um Lamune
e vamos beber juntos pelo caminho até a lua aparecer




マンデー 届いたラブレター
ワクワクしている チューズデー
ウェンズデー お返事書いたけど
じらして渡そう 日曜日

Monday, chegou uma carta de amor
estou super feliz, tuesday
Wednesday, escrevi a resposta,
mas pra te irritar, vou entregá-la no domingo

ラリルレリ ラリルレリ ラリルレリリ
ラリルレリ ラリルレリ ラリルレリル

Lariruleri Lariruleri Lariruleriri
Lariruleri Lariruleri Larirureliru



ダーリン ラムネを買ってきて
二人で飲みましょ散歩道 月が昇るまで


Amor, compre-me um Lamune
e vamos beber juntos pelo caminho até a lua aparecer



サースデー シネマの誘惑に
フラフラしている フライデー
サタデー 目覚ましセットして
夢から覚めれば 日曜日

Thursday, tentada pelo cinema,
saio sem objetivo, Friday.
Sunday, programo o despertador
e quando acordo dos meus sonhos, é domingo.

ラリルレリ ラリルレリ ラリルレリリ
ラリルレリ ラリルレリ ラリルレリル

Lariruleri Lariruleri Lariruleriri
Lariruleri Lariruleri Larirureliru



ダーリン ラムネを買ってきて
二人で飲みましょ散歩道 月が昇るまで


Amor, compre-me um Lamune
e vamos beber juntos pelo caminho até a lua aparecer


お菓子をいっぱいつめこんだ
バスケットも用意できたし
早起きして迎えに来てね
明日は朝からお天気になる
ララララー ララララー ララララー

Preparei uma cesta 
cheia de doces
Acorde cedo e venha me buscar
Amanhã o tempo vai estar bom desde de manhã
Lalalala Lalalala Lalalala


ダーリン ラムネを買ってきて
二人で飲みましょ散歩道 月が昇るまで

Amor, compre-me um Lamune
e vamos beber juntos pelo caminho até a lua aparecer

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

O Bosque - Narrado por Príncipe Rômulo

Introdução


Lá está ela, todas as noites. Ouço o farfalhar de seu vestido e seus passos rápidos atravessando o bosque. Aqui dentro, em meio a toda a suntuosidade do castelo, posso somente imaginar o motivo pelo qual a moça poderia correr por entre as tenebrosas árvores das profundezas do bosque nas madrugadas repletas de trevas. Ouço sua misteriosa voz falando sozinha, depois do que me parece ser uma longa corrida. Então, começa tudo de novo. O farfalhar, os passos ligeiros e, muitas vezes, gritos agudos e gargalhadas estridentes que atravessam meu coração. A moça corre como se estivesse a fugir de uma besta feroz. Todas as noites. Todas as noites. Será isso um sonho que se repete? Não sei. Só tenho certeza de que até o barulho de seus mínimos suspiros chega aos meus ouvidos, aqui no topo da torre leste. O único remédio para mim é ir averiguar, por mim mesmo, se há mesmo uma moça que corre pelo bosque de fora do castelo.

Parte I
Os raios de sol entram pela janela e me despertam. São seis horas da manhã. Hoje será mais um dia longo de trabalho mesmo para mim, um membro da família real. Preciso me levantar, mas sinto que algo consumiu minhas forças durante a madrugada, de modo que acordei mais cansado do que se não tivesse ido dormir. Lembro-me vagamente dos barulhos que penso ter ouvido durante a madrugada... ou seria tudo um devaneio? Enfim, levanto-me e contemplo, pela pequena janela, o bosque enevoado que há lá embaixo e o dia nublado, que parece se repetir há duas ou três semanas. Então, volto a mim e desço as escadas da torre para tomar meu desjejum. Porém, paro na metade da escada pouco iluminada e penso na moça do bosque. Por que é que ela corre lá todas as noites, gritando e falando sozinha? Será que se trata de alguma garota sandia da vila? Será que somente eu a ouço...? 
Continuo meu caminho escada abaixo e dou de cara com meu irmão mais velho na saída para o salão principal. Ele, imediatamente, me diz:
- Rômulo, Rômulo! Como sempre, acordando na hora certa. Preciso de sua companhia hoje, pois vou caçar dois cervos para o Papai. Vamos partir daqui a mais ou menos três quartos de hora. Esteja pronto com seu cavalo lá na frente do portão!
Eu realmente quis recusar o pedido de meu irmão, mas não pude. Ele não me deixou nem tempo extra para lhe responder se ia ou não e já se dirigiu a seu cômodo, que ficava perto da torre norte. Eu sou o único que dorme no alto de uma torre, talvez porque goste de sentir o ar frio em meu rosto quando abro a janela no amanhecer. Além disso, a paisagem do bosque, para a qual minha janela dá diretamente, é maravilhosa de dia, apesar de ser misteriosa e até tenebrosa à luz noturna. Todo o resto da família dorme em seus devidos cômodos, que ficam no prédio principal.
Dirijo-me à cozinha do castelo. Lá está repleto de cozinheiros, que já acordaram para fazer os preparativos para o almoço de meu pai, o Rei. Eu, timidamente, tento adentrar a cozinha sem ser percebido, mas... no momento em que as pessoas me vêem, acabam largando tudo e se curvando, oferecendo-me seus serviços. Fingindo que não vi tal cena, continuo a me dirigir para um grande armário que há no canto direito, abro-o e pego um pedaço de pão. Então, retiro-me silenciosamente da cozinha e dirijo-me para o portão do castelo, onde há um criado a me esperar com meu cavalo negro. Subo no animal e, então, depois de alguns minutos, chega meu irmão e dá a ordem para partirmos. Com uma voz tremendamente grave e severa, ele ordena que o portão seja abaixado para que possamos partir. Então, alguns soldados começam a soltar as cordas e o grande portão vai se abaixando para o lado de fora do castelo, abrindo caminho para que possamos atravessar a profunda trincheira e sair de lá. Noto que a trincheira está totalmente cheia de água lamacenta, e que não seria uma boa tropeçar e cair ali dentro. Olho em direção leste e vejo o lugar a partir de onde começa o bosque cheio de mistério. Fora do castelo e, principalmente, na área do bosque, há uma névoa densa que se alastra por quilômetros. Não é possível ver nada nitidamente. É um péssimo dia para se ir à caça.
Porém, meu irmão escolhe justamente o bosque para irmos caçar. Cavalgamos em direção à densa névoa e nos embrenhamos em meio às árvores de galhos retorcidos espalhadas pelo terreno. Não há sinal de vida e eu não vajo chance alguma de ali haver qualquer animal, muito menos um cervo, dadas as condições em que se encontra o arvoredo. A paisagem tem um ar muito macabro, totalmente diferente do que vejo de lá de cima. Porém, meu irmão insiste que viu um animal e começa a cavalgar mais rapidamente para seguí-lo em meio à névoa. Então, ouço um barulho repentino às minhas costas e viro minha face e tronco para trás para ver se por um acaso há alguém ou algo a me seguir. Porém, só olho a tempo de ver um vulto branco sumir por trás de uma árvore gigante. Talvez fosse só impressão minha, ou poderia ter sido a roupa de alguém se escondendo por trás dela. Imediatamente, paro meu cavalo e dirijo-o em direção ao lugar onde vira o vulto. Porém, não há sinal de que alguém tenha passado por lá. Viro-me em direção ao meu irmão para pedir-lhe que me espere, mas não o vejo mais. Olho em volta e percebo que estou perdido no meio bosque, em meio à densa névoa cinzenta. Caio de meu cavalo, que desata-se a correr. Minha visão escurece e não sinto mais nada. Somente ouço uma gargalhada ao longe.

Continua

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Meu fã

Aconteceu durante o meu colegial.
Eu estava em uma época de minha vida em que queria, de alguma forma, me mostrar rebelde. Sempre temos essas fases, e quando nos lembramos delas, posteriormente, ou damos muita risada ou nos sentimos profundamente envergonhados. No meu caso, optei pela segunda opção. Quando me lembro das coisas ridículas que fazia na epoca de meu colegial, me sinto terrivelmente constrangido!
Foi assim: eu estava gostando de um guitarrista "gótico" do Japão, o Mana. Ele, fazendo muito sucesso com a banda Malice Mizer na década de 90, formou uma banda solo que também seguia a linha Visual Kei, para a qual importa não somente a música, mas também o visual dos integrantes da banda. Mana se veste de mulher e criou até uma revista (Gothic Lolita Bible) difundindo seu estilo, o Gothic Lolita, no Japão inicialmente, e depois para o exterior.
MANA
Eu, que estava no primeiro colegial, fiquei totalmente ludibriado por seu estilo e tive a ignorante idéia de me vestir de preto, usar crucifixos e deixar o cabelo crescer. Além disso, o idolatrava como se fosse alguém de outro mundo, e o achava bonita como uma mulher! Então, tudo começou. Eu andava com um crucifixo enorme pendurado no pescoço, pagando uma de "trevoso", e achando que tudo aquilo era muito legal; vestia roupas escuras ou bem chamativas e andava com o rosto inexpressivo ao máximo, tentando demonstrar que não estava nem aí para ninguém, ou que era "frio".
Como eu era inexplicavelmente popular na escola, surgiu um menino super gordo da quinta série querendo ser como eu. Ele comprou uma armação de óculos igualzinha à minha, um crucifixo e roupas parecidos (as roupas em tamanho maior, é claro) e começou a me seguir onde quer que eu fosse. Sempre que eu estava na rua, ele chegava com um monte de amigos e me apresentava como se fôssemos super íntimos, o que me deixava irado por dentro. Era realmente um saco. Eu me sentia envergonhado só de falar com o menino, e andar com ele me seguindo era um martírio.
Pior ainda foi quando os amigos dele, que eu nem conhecia, começavam a me cumprimentar na rua e a me apresentar a seus acompanhantes do mesmo jeito que o gordo fazia!
Então, esta situação chegou a tal ponto em que eu não podia sair na rua sem me deparar com grupos de crianças ou mesmo adultos que me conheciam sem eu imaginar quem eles fossem.

Então, um dia, me olhei seriamente no espelho e percebi que aquilo tudo estava extremamente ridículo. Primeiro: o crucifixo era gigante e esquisito e, além de tudo, não combinava nem um pouco com as roupas que eu usava. Era exatamente como um pedaço de bosta colado em um vestido branco: todo mundo vê e acha feio. Eu me parecia com os restos de um acidende de gavetas!
Em segundo lugar, posso dizer que quem precisava mudar era eu, e não o menino obeso. Eu tinha causado toda aquela merda tentando ser "trevoso", e agora era meu dever consertar tudo!
Até minhas relações em casa estavam sendo afetadas pela minha tosquisse. Eles tentavam me avisar de que estava tudo ruim, mas eu simplesmente lhes respondia nervoso ou os ignorava.
Então, no momento em que a ficha caiu, joguei meus "acessórios" fora, voltei a me vestir normalmente e adotei outro padrão de comportamento. Agora, olho para trás e percebo o quão ridículo eu já fui! O gordo não mudou nada, a não ser a gordura, que aumentou ainda mais. Mas acho que, um dia, ele também vai perceber o quão tosco é e vai querer mudar exatamente como eu fiz. Eu realmente espero que seja assim!

Hoje, me deparo com as pessoas na rua e continuo sem saber quem elas são, porém as cumprimento alegre e educadamente. Ao passar por essa fase extremamente perdedora, aprendi a valorizar mais as relações com as pessoas! Mesmo que sejam relações superficiais, quero que sejam boas, pois querendo ou não, não conseguiria ser amigo de todas as pessoas da cidade. Ainda tenho meu lado frio, sádico e calculista, mas tento deixá-lo guardado somente para as horas em que me for necessário. Afinal, isso não é algo que se demonstre em público!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Tradução de uma letra de música do Japão. Ficou super sem sentido! Acho que quem escreveu devia ter se drogado muito pra colocar esse final.




孤独に死す、故に孤独-Morro em solidão, portanto estou sozinho

Venho vivendo a ser pressionado.
Quero mais "sumir" do que "esquecer".
Sorrio de volta para vocês, que fingem que me entendem.

Vocês, que estão sempre à minha frente, vivem sorrindo,
dizendo que amanhã haverá coisas boas.
Desde o começo, percebi que há algo de diferente entre eu e vocês, que só dizem palavras superficiais.

Machucar as pessoas virou, em algum momento, algo óbvio
Olhem, devolvo uma risada para vocês que me machucaram de novo.

"Deveria ser diferente" é o desejo único de pessoas negativas como eu...

Abri meu guarda-chuva

Hey, Lixo industrial! Dê-me um sonho!

Fechei meu guarda-chuva

A mim, que já me acostumei com tudo isso, você também pode ouvir?